segunda-feira, 16 de março de 2015

ROSI, VOCÊ VAI PARA BRASÍLIA?

Sim, a decisão de fazer essa especialização, me trouxe alguns questionamentos, algo que, até então, somente estavam no terreno do imaginário. Como estudante de Saúde Coletiva, implicada com as políticas públicas do SUS, além de minha própria implicação pessoal, sempre tive comigo que, uma das possibilidades de me envolver no mundo do trabalho seria atuando no órgão maior, o Ministério da Saúde. Pois bem, um processo avaliativo foi aberto e eis que o lugar em que seria feita essa especialização seria exatamente no Ministério da Saúde, em Brasília. Munida de força e coragem, me inscrevi no processo e assim, começo a descrever minha trajetória. A graduação voltada para a Saúde Coletiva, com todo referencial teórico, além de algumas experiências no contexto do serviço, com projetos de extensão e inserção nos estágios curriculares, me proporcionou uma base teórica e empírica, juntamente com todo o tempo de preparação durante a graduação, que pude usar como ferramenta para a aprovação nesse processo.

Lembro-me que em uma conversa com o amigo Valdir, da faculdade, surgiu um questionamento sobre o fato de ter que morar em Brasília. Respondi a ele que primeiro faria a prova, e que depois, dependendo do resultado, pensaria em como resolveria todo esse processo, mas que por aquele momento, o importante seria que não perderia mais as oportunidades de estar em lugares que me proporcionassem um maior aprendizado e uma inserção real no serviço, independente do lugar onde precisasse estar. Partindo dessa ideia, fiz a prova e quando saiu o resultado definitivo, comecei um processo de revolução em toda a minha vida, para fazer com que esse sonho, que agora se tornava uma realidade, pudesse ser concretizado, de maneira que eu conseguisse dar conta de todas as demandas que se apresentariam daquele momento em diante. Isso se deu de uma forma até certo ponto tranquila, mas ao mesmo tempo pude perceber o quanto de articulação deveria ser feita para que isso realmente se efetivasse.
Momentos de intensas reflexões pairaram meus dias, para que eu conseguisse colocar em prática o projeto que agora seria o fruto de todo um esforço pessoal para que se tornasse realidade. Assim, comecei esse processo de "desapego" e "reapego" ao mesmo tempo. Desde sempre soube que as decisões têm consequências e, nesse sentido, após pesar os prós e contras, tomei a decisão de embarcar no que eu havia pensado e sonhado, mas como um futuro, que nem de longe pensava eu, estivesse tão próximo
Tive poucos dias para possibilitar a minha vinda para a especialização, uma vez que ainda estava empregada e teria que me desvincular de meu trabalho, entre outros arranjos que seriam necessários e que possibilitassem a minha inserção nesse projeto. Assim, após deixar tudo organizado, inclusive com meu filho tomando conta da casa e de tudo o mais, embarquei nessa certeza de estar em paz com minhas decisões e que sim, faria o meu possível para que esse lugar onde me inseria nesse momento, também fizesse parte de mim e eu, agora como especializanda, também me apropriasse dele.
E foi assim...