
REFLEXOS DE BRASÍLIA!
Começo fazendo uma observação que, a meu ver, tem muito sentido para esse momento em que estamos.
Aqui em Brasília, as coisas são diferentes. O céu é diferente, as flores são diferentes, o ar é diferente. Enfim, Brasília com todas as suas diferenças, traz - nos grandes semelhanças em sentimentos.
Estar aqui, livre, dona do próprio nariz, é uma sensação indescritível. Hoje, sem dúvida nenhuma, me reconheço muito mais no espaço em que estou inserida, e nos espaços em que vou buscando me inserir. A vida de especializanda é diferente de tudo o que já vivi. Muitas experiências novas e inusitadas surgem ao longo do percurso e a partir daí, sou mobilizada a corrigir trajetórias, reinventar modos de driblar impossibilidades, mas, acima de tudo, propiciam um encontro comigo mesma.
Nesse momento de finalização, por assim dizer, do segundo ciclo de imersão na Coordenação de Avaliação e Acompanhamento (CGAA), tenho duas sensações: a primeira sensação: que eu trouxe muitas expectativas para essa segunda imersão. Neste momento, preciso fazer uma observação: o fato de ter feito meu TCC utilizando o banco de dados do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB) me deu a sensação de que, pelo fato de estar nessa coordenação, eu pudesse participar dos processos de trabalho mesmo, que me inserisse no contexto. Mas, ao longo da imersão, fui me deparando com situações das quais eu não consegui, em certa medida, transpor.
Por ser uma coordenação mais dura, no sentido de processos de trabalho, senti uma defazagem em minha formação, que foi o fato de ter chegado no serviço, com uma noção muito básica de utilização dos softwares usados pela equipe e, na maior parte das vezes, senti também, a falta de tempo da equipe para tentar suprir essa dificuldade. Entendo que havia respaldo, mas não tempo para execução. Acredito que uma reflexão necessária, que fiz e faço ao longo desse percurso, é que, nem sempre trazemos conosco as ferramentas necessárias para desenvolver o trabalho, mas que, ao longo do percurso, vamos adquirindo .A partir dessa reflexão, penso que a imersão no serviço dessa forma como está colocada, não tenha o formato necessário no sentido aqui colocado, pois ao mesmo tempo que nos insere, não nos permite tempo para apropriação das ferramentas que necessitamos e não trazemos conosco para uso no trabalho.
E a segunda sensação é que, pelo fato da primeira imersão ter sido uma experiência riquíssima, a Coordenação Geral de Gestão da Atenção Básica (CGGAB), ficou muito difícil descolar dessa experiência tão rica. Faço aqui, um
"mea culpa", pois meu perfil, depois de passar por essas duas imersões, se assemelha mais à dinâmica da CGGAB, pois me sinto melhor em um espaço de articulação das políticas, reflexões, maneiras de viabilizar as propostas, o envolvimento dos trabalhadores nos processos de trabalho, como ferramenta para uma gestão dos processos com maior implicação do sujeito.

Feita essa reflexão, passo para as soluções encontradas no sentido de inserção no campo de trabalho.
O fato de ser especializanda, e ter um "prazo de validade" não possibilita uma inserção mais implicada em processos e prazos que fazem parte dessa coordenação (CGAA). A partir desta observação, tentamos, então, um foco maior no produto a ser realizado, que será o FAQ PMAQ e AMAQ, além da participação nas diversas frentes de discussão das novidades que serão inseridas no terceiro ciclo do PMAQ. Assim, minha passagem pela CGAA, está sendo mais produtiva, uma vez que me possibilita participar dos processos de articulação que envolvem as mudanças ou permanências das políticas públicas, sempre passando pelo consenso da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), um espaço de discussão e pactuação de ações em prol da melhoria das ações em saúde. Também tenho participado com a equipe na confecção das diversas apresentações, revisões de Notas Metodológicas, e um interesse especial pela área da estatística, onde acompanhei a confecção dos indicadores que comporiam as apresentações.
Por enquanto, apesar do estranhamento inicial, a necessária correção da rota vem fazendo com que eu me sinta mais inserida nesse espaço e consiga desenvolver um trabalho que me coloque mesmo, como parte integrante da equipe.
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"Hard" esse é o termo que uso sempre que vou falar da CGGAB. Uma coordenação envolvente, ativa, onde todos os atores se implicam com os processos de trabalho e reflexão sobre como viabilizar a maior parte das ações ali pensadas.
Minha imersão nesta coordenação foi instigante, me trouxe inquietações, aliás, me traz até hoje, no sentido mesmo de tentar dar valor de uso para essa análise da passagem em coordenações tão diversas, mas que possuem uma dialógica em seus processos de trabalho.