Pensar em Gestão do Cuidado nesse momento em que atravessamos no Ministério da Saúde, com a mudança do Ministro da Saúde e a reforma ministerial assume, a meu ver, um papel muio relevante que vai para além do que se conceitua como Gestão do Cuidado, perpassa para o nosso cotidiano.
Pensar em gestão do cuidado, particularmente falando que os sujeitos devem ser também participantes em seus projetos terapêuticos, por exemplo, me remete ao dias que estamos vivendo, onde cada um apoia o outro e o ajuda a ver um novo horizonte que se desenha. Muitas das vezes, exercemos um cuidado que, descompromissado, acaba por ajudar o outro que necessita, mas quando exercemos esse papel para que possa provocar um movimento de reconforto esse cuidado se torna dispositivo de mudança. Mudança no sentido e na maneira como as coisas são vistas, sentidas, e até entendidas.
Nesse momento, eu, usando de tecnologias leves, consigo construir ao meu redor, um caminho de cuidados que me fazem sujeito ativo no sentido de tentar transformar angústias, dores, medos, incertezas, em um possível horizonte de novas e outras possibilidades.
Fácil? Nem um pouco, mas mesmo com todo esse cenário que vem se desenhando, estamos nos cuidando e cuidando de todos os sujeitos no sentido de que mantenham a sua alegria e confiança, porque o nosso objetivo é maior que qualquer momento nebuloso que estejamos passando.
Gestão do cuidado, nesse momento, para mim é isso, guardar toda a incerteza e insegurança que trago comigo, para me transformar em sujeito de apoio ao que está necessitando nesse momento tão delicado e, porque não dizer, desolador!
"Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo,
torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente,
ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se
a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela
tampouco a sociedade muda."
Essa postagem é fruto da UPP de Gestão da Educação - Prof. Ricardo Ceccim e Profa. Jeane Felix
Pensar em Educacão me remete a processos que vivi em um outro tempo. No tempo em que não se podia emitir opinião e nem pensamentos. Que tempos horríveis eram aqueles, em que a ditadura do conhecimento "vomitado", era a única prática permitida. Nós, enquanto alunos com pouco conhecimento, não podíamos questionar as coisas com as quais não concordávamos.
Mas, para minha sorte, os tempos mudaram, e hoje, já se pode refletir e problematizar questões que nos inquietam e incomodam, e assim, através de debates, encontros, rodas, podemos sair em busca de formas melhores de se lidar com tais questões.
Enfim, passo para a tarefa da Especialização, que temos que dar conta, como processo de reflexão sobre a perpetuação do "velho jeito de se educar".
1 – Qual sua concepção de Educação?
Educação para mim é um processo libertador. Sim, não consigo pensar que no século XXI, ainda se usem as bases antiquadas de tempos que já estão para lá de ultrapassados. Educação é um processo reflexivo, criativo, que implica sermos protagonistas também desses processos.
Educação nos dá poder-potência, sim, para questionar, refletir, propor mudanças, termos consciência de nosso papel na sociedade.
Através da educação, podemos disparar processos de reflexão e construção conjunta para que os conhecimentos sejam realmente potentes e transformadores.
Educação transforma, a partir do momento em que podemos pensar, refletir, trocar maneiras de viver a vida e o mundo.
É necessário que estejamos implicados em nossos processos de formação, pois o antigo modelo de transmissão de conhecimento, por si só, não dá mais conta das necessidades que temos.
Eu, enquanto sujeito de minha formação, posso também contribuir, através de minhas experiências, as que trago de vivências e as que trago como “causos”, com a possibilidade de disparar processos de reflexão sobre o cotidiano.
2 - Como você articula tal concepção com seu próprio processo de trabalho?
Acredito que como estamos em um espaço de ensino-aprendizagem, onde teoria e prática se fundem para construir novas relações e melhoria nos processos de trabalho, a educação-potência alia o que trago de minhas experiências, junto com as experiências e vivências do cotidiano do trabalho, e, a partir desse encontro, vamos (eu e a equipe em que me insiro) tecendo novas possibilidades no fazer.
O cotidiano exige que eu tenha uma implicação direta com os processos de trabalho, mas, acima de tudo, possibilita que eu possa refletir sobre a forma como executar esse trabalho. Assim, todos os dias, me deparo refletindo sobre como desenvolvemos, por exemplo, as políticas em saúde. Para isso, necessitamos de muitos momentos de encontros, de trocas, de avaliações, de reflexão mesmo sobre o sentido daquela política para o usuário. Nesse momento, lógica e subjetividade se fundem, para a partir daí, possibilitar um desenho mais próximo da realidade que aquela política quer (re)significar. A educação transformadora, aquela que trago e que uso em meus ideais, possibilita que eu tenha uma visão mais ampla do contexto em que me insiro, e tente, através de minha inserção no trabalho, melhorar as relações entre o que pensamos e como pensamos e o que fazemos e a forma como fazemos.
Enfim, como protagonista nos espaços em que me insiro, de uma maneira de pensar e agir implicada com o meu fazer, e da forma como fazer, vou tecendo, juntamente com meus pares, novas possibilidades sobre o que sempre foi feito, de uma forma menos autômata e mais implicada e reflexiva, no sentido de possibilitar que esse fazer se transforme em potência e significado para as pessoas que participam desses processos.
TODOS OS DIAS QUANDO ACORDO, NÃO TENHO MAIS O TEMPO QUE PASSOU!
Sim, essa sensação que me acompanha sempre que levanto da cama para ir ao trabalho. Por ter um tempo definido para o término desse processo de imersão, isso me traz uma certa angústia. Brasília é um cenário incomparável.
Pensando sobre esse processo, acredito que essa forma de distribuição de carga horária e setores para serem vivenciados, traz consigo um certo sofrimento para quem efetivamente faz parte disso, mesmo tendo isso muito bem claro em edital. Quando cheguei ao cenário de prática, uma certa estranheza me invadiu.
Bahhh! Eu aqui no lugar dos "cabeças pensantes"! Sim, pensando em música, porque desde que cheguei em Brasília, a música me invadiu por inteiro, Titãs me vem á mente, pensando nas cabeças dinossauro. Assim, a inserção na Gestão Federal me aproxima deste universo de sentidos e significados e me instiga a pensar em minha formação em Saúde Coletiva. Vivenciar o cotidiano do trabalho é um processo que mexe com todos os sentidos. Alegria, incerteza, angústia, medo, liberdade, encontros. Tudo junto e misturado. Mas uma certeza me acompanha sempre, a de que é preciso sair da zona de conforto e viver tudo o que isso traz de significado em nossas vidas!
Olhar a vida como se tudo tivesse parado no
tempo e no espaço, e mesmo assim, esse tempo não representasse nada diante da imensidão que
vejo em teus olhos, e através deles me lanço em uma imensa roda viva. Viva mais
que a vida, mais que a sensação de todas as horas se fundindo dentro de mim, enquanto me permito ser a sua porta voz e assim sendo, clamo a todos os sete
ventos, que tu, de agora em diante, não existirás mais, a não ser por estares
em minha companhia, sem sentir o passar das horas, dos dias, dos anos, podermos, assim, estar em contato com todos os nossos sentidos.
Começo fazendo uma observação que, a meu ver, tem muito sentido para esse momento em que estamos.
Aqui em Brasília, as coisas são diferentes. O céu é diferente, as flores são diferentes, o ar é diferente. Enfim, Brasília com todas as suas diferenças, traz - nos grandes semelhanças em sentimentos.
Estar aqui, livre, dona do próprio nariz, é uma sensação indescritível. Hoje, sem dúvida nenhuma, me reconheço muito mais no espaço em que estou inserida, e nos espaços em que vou buscando me inserir. A vida de especializanda é diferente de tudo o que já vivi. Muitas experiências novas e inusitadas surgem ao longo do percurso e a partir daí, sou mobilizada a corrigir trajetórias, reinventar modos de driblar impossibilidades, mas, acima de tudo, propiciam um encontro comigo mesma.
Nesse momento de finalização, por assim dizer, do segundo ciclo de imersão na Coordenação de Avaliação e Acompanhamento (CGAA), tenho duas sensações: a primeira sensação: que eu trouxe muitas expectativas para essa segunda imersão. Neste momento, preciso fazer uma observação: o fato de ter feito meu TCC utilizando o banco de dados do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB) me deu a sensação de que, pelo fato de estar nessa coordenação, eu pudesse participar dos processos de trabalho mesmo, que me inserisse no contexto. Mas, ao longo da imersão, fui me deparando com situações das quais eu não consegui, em certa medida, transpor.
Por ser uma coordenação mais dura, no sentido de processos de trabalho, senti uma defazagem em minha formação, que foi o fato de ter chegado no serviço, com uma noção muito básica de utilização dos softwares usados pela equipe e, na maior parte das vezes, senti também, a falta de tempo da equipe para tentar suprir essa dificuldade. Entendo que havia respaldo, mas não tempo para execução. Acredito que uma reflexão necessária, que fiz e faço ao longo desse percurso, é que, nem sempre trazemos conosco as ferramentas necessárias para desenvolver o trabalho, mas que, ao longo do percurso, vamos adquirindo .A partir dessa reflexão, penso que a imersão no serviço dessa forma como está colocada, não tenha o formato necessário no sentido aqui colocado, pois ao mesmo tempo que nos insere, não nos permite tempo para apropriação das ferramentas que necessitamos e não trazemos conosco para uso no trabalho.
E a segunda sensação é que, pelo fato da primeira imersão ter sido uma experiência riquíssima, a Coordenação Geral de Gestão da Atenção Básica (CGGAB), ficou muito difícil descolar dessa experiência tão rica. Faço aqui, um "mea culpa", pois meu perfil, depois de passar por essas duas imersões, se assemelha mais à dinâmica da CGGAB, pois me sinto melhor em um espaço de articulação das políticas, reflexões, maneiras de viabilizar as propostas, o envolvimento dos trabalhadores nos processos de trabalho, como ferramenta para uma gestão dos processos com maior implicação do sujeito.
Feita essa reflexão, passo para as soluções encontradas no sentido de inserção no campo de trabalho.
O fato de ser especializanda, e ter um "prazo de validade" não possibilita uma inserção mais implicada em processos e prazos que fazem parte dessa coordenação (CGAA). A partir desta observação, tentamos, então, um foco maior no produto a ser realizado, que será o FAQ PMAQ e AMAQ, além da participação nas diversas frentes de discussão das novidades que serão inseridas no terceiro ciclo do PMAQ. Assim, minha passagem pela CGAA, está sendo mais produtiva, uma vez que me possibilita participar dos processos de articulação que envolvem as mudanças ou permanências das políticas públicas, sempre passando pelo consenso da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), um espaço de discussão e pactuação de ações em prol da melhoria das ações em saúde. Também tenho participado com a equipe na confecção das diversas apresentações, revisões de Notas Metodológicas, e um interesse especial pela área da estatística, onde acompanhei a confecção dos indicadores que comporiam as apresentações.
Por enquanto, apesar do estranhamento inicial, a necessária correção da rota vem fazendo com que eu me sinta mais inserida nesse espaço e consiga desenvolver um trabalho que me coloque mesmo, como parte integrante da equipe. *********************************************************************************
"Hard" esse é o termo que uso sempre que vou falar da CGGAB. Uma coordenação envolvente, ativa, onde todos os atores se implicam com os processos de trabalho e reflexão sobre como viabilizar a maior parte das ações ali pensadas.
Minha imersão nesta coordenação foi instigante, me trouxe inquietações, aliás, me traz até hoje, no sentido mesmo de tentar dar valor de uso para essa análise da passagem em coordenações tão diversas, mas que possuem uma dialógica em seus processos de trabalho.
Dia de escolha dos Campos de Imersão. SGTES e DAB - O dia de grandes lições e decisões.
O grande dia da escolha dos campos de imersão chegou. O momento era de tensão geral, pois todos traziam consigo seus desejos, suas ansiedades, suas expectativas, e comigo não foi diferente. Eu já tinha meu desejo bem delineado e dessa forma segui rumo à escolha dos campos de imersão.
Esse dia foi marcado por um grande impasse, uma vez que o meu querer esbarrou num mesmo querer de outro, o que trouxe grandes movimentos e expectativas no coletivo. Pois bem, eu e Carol Coixxxme (sotaque carioca) desejávamos fazer nossa imersão no mesmo departamento, na SGTES (Secretaria de Gestão do Trabalho e Educação em Saúde) e nesse momento, começaram nossas dúvidas e ansiedades. Nenhuma de nós duas queria abrir mão de seu desejo, até porque já tínhamos chegado até ali, com o objetivo mesmo de estar na SGTES. E essa tensão permaneceu por um bom tempo, o que fez com que o coletivo chegasse a pensar em sugerir um sorteio, para decidir quem iria para o DAB (Departamento de Atenção Básica). Confesso que, até o último momento, não queria ter que abrir mão de meu sonho, até porque trazia comigo, experiências anteriores nas quais, em vários momentos, abri mão de minhas expectativas em prol do outro. Pensei que, pelo menos desta vez, o processo seria mais tranquilo. Ledo engano! Como não podia deixar de ser, não foi diferente, e após um longo processo de indecisão, Carol resolveu abrir mão de seu grande sonho.
Nesse momento, pensei nela, e em todas as vezes que ouvia a frase: "Eu quero ir para a SGTES"desde que tínhamos chegado no Hostel, para nossa tão sonhada especialização. Diante da possibilidade de vê-la abrir mão de um sonho tão trabalhado, sim, porque para chegarmos até aqui, foram no mínimo quatro anos de dedicação exclusiva e intensiva, não pude ficar indiferente. Assim, mesmo com toda a minha expectativa e desejo, não consegui deixá-la tomar aquela atitude. Foi muito difícil para mim também ter que abrir mão desse sonho que trazia comigo, mas diante da possibilidade de ter experiências de aprendizado tão boas quanto, decidi que não, Carol não iria para o DAB e sim eu, pensando até em trajetórias de vida e experiências vividas. Foi um momento de grande emoção para todos, mas para mim e Carol, foi um momento que nos uniu em todos os sentidos, acho que para o resto de nossas vidas!
Primeiro dia de aula da especialização com turma de Bolsistas e cursistas e professores Ricardo Cecim e Lisiane Boer Possa.
Primeira passagem pelo Túnel que liga os anexos do Ministério da Saúde.
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Turma de especializandos de imersão no Departamento de Atenção Básica: Mariana, Flávia, Nágila, Bárbara, Luan, Gabrielly, Rosimeire, Laura, Amanda e Carol.
Esse dia foi especial porque estávamos ansiosos e empolgados com a possibilidade dessa imersão e tudo o que ela nos traria.
Café da manhã da UPP - Gestão do Cuidado - Fiocruz A Gestão do Cuidado: As pontas de um Iceberg?
Pensar em Gestão do Cuidado
vai muito mais além do que o termo pode dizer. É necessário termos uma visão
ampla e realista do que a prática do cuidado em saúde traz de significado na
experiência com o usuário. A experiência vivida durante a UPP de Gestão do
Cuidado, trouxe à luz alguns questionamentos que até então, não haviam sido
pensados com tanta veemência, no sentido de entendimento de situações e
posturas no agir em saúde.
A relação dos textos com os
assuntos tratados no encontro presencial, foi muito importante no sentido de
dar mais amplitude a certas questões que passam desapercebidas para quem pensa
e faz saúde, uma vez que o cotidiano desse trabalho, muitas vezes se sobrepõe
às reais necessidades que envolvem esse ser ( o usuário) que busca para si, um
cuidado e uma atenção em suas questões de necessidades prementes, ou seja o seu
cuidado em (com a) saúde.
Nesse sentido, a imersão no
serviço, mais especificamente na Coordenação Geral de Gestão da Atenção Básica
(CGGAB), torna-se fundamental para essa análise que ora apresentarei, uma vez
que o embasamento e o entendimento do que
e como se pensa saúde nesse lugar, diz muito sobre o modo de gestão do
cuidado em saúde, numa perspectiva mais macro. Assim, esse encontro de teoria,
reflexão e prática das estratégias de como tornar o Sistema Único de Saúde (SUS)
que queremos, uma realidade, vai se delineando ao passo em que vamos adentrando
esse cotidiano de pensar, planejar e tentar implantar políticas que dêem conta
desse gigantesco projeto de modelo de sociedade, que é o SUS.
Os textos apresentados na
aula presencial foram de grande importância, pois, agora falando de minhas
experiências pessoais, trouxeram para mais próximo de mim, um cotidiano do qual
não tinha conhecimento de fato, uma vez que, como acadêmica, não havia
trabalhado na “ponta” e assim, as experiências relatadas, sempre se
apresentavam como uma interrogação. Ponta? Mas que ponta é essa?
O termo “ ponta” tem sido muito
utilizado na área da saúde como o cotidiano do serviço em sua essência, nos
locais mesmo onde acontecem, local de execução, de práticas; mas ouso dizer que quem reflete, pensa e
operacionaliza as políticas também está na ponta, uma vez que dependendo do
ângulo que se olhe, a ponta está para uma direção ou outra.
Digo isso porque comumente quando se
utiliza o termo ponta, a primeira figura que vem à mente é a “ponta do Iceberg”,
aquela ponta emersa, visível , na qual aparecem as ações realizadas no cotidiano
do serviço, suas práticas e ofertas no sentido de dar cabo do cuidado do
usuário em todas as suas demandas, o exercício do fazer saúde. Na outra ponta, submersa, mergulhada, a ponta onde se
pensa, se reflete e se buscam meios de operacionalizar esses instrumentos que
são utilizados, que guarda em si, muitos
planejamentos complexos e nem sempre tem em seu escopo de ações, possibilidades
de operacionalização desses planejamentos, está a gestão.
Esse pensamento e analogia surgiu
durante uma atividade da UPP onde deveríamos pensar em formas de melhor
operacionalização da Gestão do Cuidado. Assim, reunidos em grupos, pensamos, de
uma forma livre, em práticas que qualificariam os processos de gestão do
cuidado. Reunidos, a minha sugestão foi de discussão sobre o acesso, vendo nesse
assunto, uma grande questão do usuário. Em contrapartida, a maioria queria
discutir ambiência. Houve um longo debate de idéias, mas ao fim chegaram à
conclusão de que a discussão deveria girar em torno da ambiência. A partir
desse momento, me sentindo incomodada com a condução das atividades, fiquei
pensando em como discutir ambiência, sem antes pensar na forma como o usuário
iria poder ter acesso a todas essas formas de acolhimento. Grandes idéias foram
surgindo, e eu, “com o acesso na
cabeça”! Quando o professor entrou na sala, para participar das discussões
sobre a gestão do cuidado, achou muitíssimo interessante a questão da
ambiência, mas eu, ainda incomodada com a questão do acesso ter sido descartada
pelos demais, achei uma forma de conversar sobre esse assunto. Assim,
questionei se junto com a questão da ambiência, pensando em cuidado, não
poderíamos também falar sobre o acesso, uma vez que, sem termos a garantia de
acesso, não chegamos a desfrutar da ambiência pensada para os serviços de saúde.
Sim, disse o professor, e explicou rapidamente questões sobre o acesso, que
foram chamando a atenção do grupo, que diante do exposto pelo professor,
provocado por meus questionamentos, uniu a estratégia de formas de acesso e
ambiência, como itens para melhoria da gestão do cuidado. Após isso, fizemos
uma discussão muito profícua no sentido de pensarmos estratégias que unissem o
acesso e a ambiência, e foi o que ocorreu.
Durante todas as discussões, baseadas
em texto de Merhy, em algumas colocações do professor, ficou em mim, a
importância da micropolítica das relações, quando tivemos que entrar em acordo
sobre a operacionalização das nossas idéias, o manejo de situações e casos
complexos apresentados para reflexão, através do texto O caso de D. Ana Maura,
onde o cotidiano dos serviços engessou de certa forma aquela equipe, e de como
se encontram meios de lidar com esse
engessamento, fazendo uso de tecnologias leves, como troca de experiências
entre equipes, ou até mesmo lançando-se mão de um outro olhar sobre as mesmas
questões, para pensar em formas de manejo dessas situações.
A meu ver, até agora, essa UPP de
Gestão do Cuidado, apresentada pelo professor Helvo, foi a mais bem
aproveitada, pela dinâmica envolvida
nesse encontro, e por tudo o que provocou em mim e na maioria dos
participantes. Nesse sentido, minha imersão no mundo do trabalho, mais
especificamente na CGGAB, mostrou-se imensamente rica em todos os sentidos, mas
um sentido que para mim teve maior
significado, foi a de ter conseguido fazer com que a questão do acesso
caminhasse junto com a questão da ambiência, como formas efetivas de melhoria
na gestão do cuidado. Com tudo isso, sinto que os movimentos dos quais tenho me
envolvido em minha coordenação, além de melhorar a minha capacidade de análise
crítica do contexto, me fazem também perceber o quanto de articulação e
parceria, é necessário para que tenhamos êxito em nosso planejamento, no
sentido de tornar concreto, tudo o que pensamos, e porque não dizer, sonhamos,
para esse SUS mais justo e igualitário para todo cidadão que tem direito e
necessidade de ter suas demandas atendidas e acima de tudo, acolhidas como
prioridades para as “pontas”!
Referências:
MERHY,
Emerson Elias, FUERWERKER, Laura Camargo Macruz e CERQUEIRA, Maria Paula. Da repetição a diferença: construindo
sentidos com o outro no mundo do cuidado.
Caso extraído de: SLOMP JUNIOR, Helvo. Uma
experienciação em Educação Permanente em Saúde: ativação coletiva de projetos
terapêuticos compartilhados com operação de conceitos advindos da homeopatia.
Rio de Janeiro, 2015. Tese (Doutorado em Medicina) – Faculdade de Medicina da
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2015.
Micropolítica
e saúde: produção do cuidado, gestão e formação/ Org. Laura Camargo Macruz Fuerwerker.
- Porto Alegre: Rede UNIDA, 2014. 174 p. - (Coleção Micropolítica do Trabalho e
o Cuidado em Saúde).
LADO DE FORA DO PLANALTO NO DIA DA POSSE DE DILMA - 01/01/2015
REFLEXÕES SOBRE A REUNIÃO NA CASA CIVIL
Impossível começar esta
narrativa, sem colocar um pouco de mim mesma nesse contexto.
Após a confirmação para a
reunião na Casa Civil, criou-se uma atmosfera de expectativas de como seria
essa atividade. A Casa Civil, localizada no Palácio do Planalto, possui uma
série de protocolos, e assim, fui inserida na realidade de Brasília. Com “roupa
de Casa Civl”, como dizem os cgabianos, fui com Marcelo Pedra para a tão falada
reunião. Chegando lá, não pude conter a minha alegria infantil e meio mágica em
estar adentrando em um espaço tão importante quanto o Palácio do Planalto. Não,
a Dilma não estava lá. Pena, pois isto teria coroado a minha primeira inserção
no Palácio do Planalto. Enfim, passados esses primeiros momentos de certo
regozijo, começamos com o que de fato, havia
ido fazer lá.
A reunião na Casa Civil envolveu diversos atores afim de discutir os rumos de novas políticas.
Este momento foi de
discussão e articulação no sentido de um esboço sobre a inserção do Governo
Federal, dentro do Programa Crack é Possível vencer, voltado para a situação de
gestantes e recém nascidos em situação de rua e violência. Foram feitas várias discussões sobre a necessidade de se pensar numa política que inclua as mulheres gestantes e seus filhos quando em situação de rua. Diversos fatores foram pontuados, mas o que mais chamou minha atenção foi que essa situação, embora não devesse existir, necessita de um cuidado especial, uma vez que lida com direitos e se trata de um assunto bastante complexo. Essa reunião marcou, para mim, um espaço de grande articulação e esforço dos diversos atores envolvidos, no sentido de se pensar em meios de construção coletiva de uma política que dê conta dessa questão.
Assim, esse primeiro momento
de inserção externa no cenário de práticas, proporcionou uma experiência
inédita no sentido de participação nos espaços de discussão e análise de
conjunturas e o que isso traz de significado, quando se pensa em outras
possibilidades, tendo como foco o cuidado em sua integralidade. Possibilitou
também uma maior aproximação entre todos
os atores envolvidos nesse processo, e a forma como é pensada essa estrutura
para tornar viável e concreta uma proposta que começa sempre pelo campo das
idéias e do imaginário e que ao longo das discussões vai tomando forma e
tornando-se palpável. A inserção do
especializando nestes cenários é de extrema importância, pois ao mesmo tempo em
que possibilita um contato real com o campo das discussões para tomada de
decisões, provoca também, a necessidade de apropriação desses espaços de
discussão com o objetivo de contribuir para uma construção coletiva do cuidado.
Sim, a decisão de fazer essa especialização, me trouxe alguns questionamentos, algo que, até então, somente estavam no terreno do imaginário. Como estudante de Saúde Coletiva, implicada com as políticas públicas do SUS, além de minha própria implicação pessoal, sempre tive comigo que, uma das possibilidades de me envolver no mundo do trabalho seria atuando no órgão maior, o Ministério da Saúde. Pois bem, um processo avaliativo foi aberto e eis que o lugar em que seria feita essa especialização seria exatamente no Ministério da Saúde, em Brasília. Munida de força e coragem, me inscrevi no processo e assim, começo a descrever minha trajetória. A graduação voltada para a Saúde Coletiva, com todo referencial teórico, além de algumas experiências no contexto do serviço, com projetos de extensão e inserção nos estágios curriculares, me proporcionou uma base teórica e empírica, juntamente com todo o tempo de preparação durante a graduação, que pude usar como ferramenta para a aprovação nesse processo.
Lembro-me que em uma conversa com o amigo Valdir, da faculdade, surgiu um questionamento sobre o fato de ter que morar em Brasília. Respondi a ele que primeiro faria a prova, e que depois, dependendo do resultado, pensaria em como resolveria todo esse processo, mas que por aquele momento, o importante seria que não perderia mais as oportunidades de estar em lugares que me proporcionassem um maior aprendizado e uma inserção real no serviço, independente do lugar onde precisasse estar. Partindo dessa ideia, fiz a prova e quando saiu o resultado definitivo, comecei um processo de revolução em toda a minha vida, para fazer com que esse sonho, que agora se tornava uma realidade, pudesse ser concretizado, de maneira que eu conseguisse dar conta de todas as demandas que se apresentariam daquele momento em diante. Isso se deu de uma forma até certo ponto tranquila, mas ao mesmo tempo pude perceber o quanto de articulação deveria ser feita para que isso realmente se efetivasse. Momentos de intensas reflexões pairaram meus dias, para que eu conseguisse colocar em prática o projeto que agora seria o fruto de todo um esforço pessoal para que se tornasse realidade. Assim, comecei esse processo de "desapego" e "reapego" ao mesmo tempo. Desde sempre soube que as decisões têm consequências e, nesse sentido, após pesar os prós e contras, tomei a decisão de embarcar no que eu havia pensado e sonhado, mas como um futuro, que nem de longe pensava eu, estivesse tão próximo Tive poucos dias para possibilitar a minha vinda para a especialização, uma vez que ainda estava empregada e teria que me desvincular de meu trabalho, entre outros arranjos que seriam necessários e que possibilitassem a minha inserção nesse projeto. Assim, após deixar tudo organizado, inclusive com meu filho tomando conta da casa e de tudo o mais, embarquei nessa certeza de estar em paz com minhas decisões e que sim, faria o meu possível para que esse lugar onde me inseria nesse momento, também fizesse parte de mim e eu, agora como especializanda, também me apropriasse dele. E foi assim...
Passado esse primeiro momento após algumas descobertas básicas para dar um toque meu no blog, passo, a partir de hoje a fazer parte desse povo que gosta de expor ideias, reflexões, vivências, experiências, entre tantas outras coisas que o ato de escrever nos oferece.
"Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a lingua dos anjos, sem amor eu nada seria..."
Essa frase desde sempre me acompanha, sim, sem amor eu nada seria. Amor pelas pessoas, amor pelas coisas, amor por meus ideais, amor por minhas escolhas e por poder colocá-las em prática. Gosto de saber que posso, sempre que escolho fazer algo, fazê-lo com todo zelo e dedicação, pois é a minha escolha,e a partir daí, me apaixono e vivo intensamente essa possibilidade.
Hoje, aqui em Brasília, tenho mais do que nunca a certeza de que quando fazemos as coisas e colocamos amor como ingrediente principal, o universo conspira para que tudo dê certo e você chega aonde seus sonhos te colocam, com uma grande dose também de esforço e dedicação. Esses são outros ingredientes que também são essenciais para que a nossa receita de bem viver, não "desande"!
Dessa forma, a partir de hoje, começo a destacar a minha trajetória na Especialização no Ministério da Saúde em Brasília e o meu cotidiano no serviço e para além dele.
Quando pensei em fazer um blog, não sabia bem ao certo como faria isto. Decidi, após olhar o blog de uma amiga, a Carol Coixxxxme, uma carioca lindíssima, inteligente e muito querida.Pois bem, desta forma estou aqui hoje, tentando desvendar esse universo de possibilidades e nem sempre conseguindo.