Pensar em Gestão do Cuidado
vai muito mais além do que o termo pode dizer. É necessário termos uma visão
ampla e realista do que a prática do cuidado em saúde traz de significado na
experiência com o usuário. A experiência vivida durante a UPP de Gestão do
Cuidado, trouxe à luz alguns questionamentos que até então, não haviam sido
pensados com tanta veemência, no sentido de entendimento de situações e
posturas no agir em saúde.
A relação dos textos com os
assuntos tratados no encontro presencial, foi muito importante no sentido de
dar mais amplitude a certas questões que passam desapercebidas para quem pensa
e faz saúde, uma vez que o cotidiano desse trabalho, muitas vezes se sobrepõe
às reais necessidades que envolvem esse ser ( o usuário) que busca para si, um
cuidado e uma atenção em suas questões de necessidades prementes, ou seja o seu
cuidado em (com a) saúde.
Nesse sentido, a imersão no
serviço, mais especificamente na Coordenação Geral de Gestão da Atenção Básica
(CGGAB), torna-se fundamental para essa análise que ora apresentarei, uma vez
que o embasamento e o entendimento do que
e como se pensa saúde nesse lugar, diz muito sobre o modo de gestão do
cuidado em saúde, numa perspectiva mais macro. Assim, esse encontro de teoria,
reflexão e prática das estratégias de como tornar o Sistema Único de Saúde (SUS)
que queremos, uma realidade, vai se delineando ao passo em que vamos adentrando
esse cotidiano de pensar, planejar e tentar implantar políticas que dêem conta
desse gigantesco projeto de modelo de sociedade, que é o SUS.
Os textos apresentados na
aula presencial foram de grande importância, pois, agora falando de minhas
experiências pessoais, trouxeram para mais próximo de mim, um cotidiano do qual
não tinha conhecimento de fato, uma vez que, como acadêmica, não havia
trabalhado na “ponta” e assim, as experiências relatadas, sempre se
apresentavam como uma interrogação. Ponta? Mas que ponta é essa?
O termo “ ponta” tem sido muito
utilizado na área da saúde como o cotidiano do serviço em sua essência, nos
locais mesmo onde acontecem, local de execução, de práticas; mas ouso dizer que quem reflete, pensa e
operacionaliza as políticas também está na ponta, uma vez que dependendo do
ângulo que se olhe, a ponta está para uma direção ou outra.
Digo isso porque comumente quando se
utiliza o termo ponta, a primeira figura que vem à mente é a “ponta do Iceberg”,
aquela ponta emersa, visível , na qual aparecem as ações realizadas no cotidiano
do serviço, suas práticas e ofertas no sentido de dar cabo do cuidado do
usuário em todas as suas demandas, o exercício do fazer saúde. Na outra ponta, submersa, mergulhada, a ponta onde se
pensa, se reflete e se buscam meios de operacionalizar esses instrumentos que
são utilizados, que guarda em si, muitos
planejamentos complexos e nem sempre tem em seu escopo de ações, possibilidades
de operacionalização desses planejamentos, está a gestão.
Esse pensamento e analogia surgiu
durante uma atividade da UPP onde deveríamos pensar em formas de melhor
operacionalização da Gestão do Cuidado. Assim, reunidos em grupos, pensamos, de
uma forma livre, em práticas que qualificariam os processos de gestão do
cuidado. Reunidos, a minha sugestão foi de discussão sobre o acesso, vendo nesse
assunto, uma grande questão do usuário. Em contrapartida, a maioria queria
discutir ambiência. Houve um longo debate de idéias, mas ao fim chegaram à
conclusão de que a discussão deveria girar em torno da ambiência. A partir
desse momento, me sentindo incomodada com a condução das atividades, fiquei
pensando em como discutir ambiência, sem antes pensar na forma como o usuário
iria poder ter acesso a todas essas formas de acolhimento.
Grandes idéias foram surgindo, e eu, “com o acesso na cabeça”! Quando o professor entrou na sala, para participar das discussões sobre a gestão do cuidado, achou muitíssimo interessante a questão da ambiência, mas eu, ainda incomodada com a questão do acesso ter sido descartada pelos demais, achei uma forma de conversar sobre esse assunto. Assim, questionei se junto com a questão da ambiência, pensando em cuidado, não poderíamos também falar sobre o acesso, uma vez que, sem termos a garantia de acesso, não chegamos a desfrutar da ambiência pensada para os serviços de saúde. Sim, disse o professor, e explicou rapidamente questões sobre o acesso, que foram chamando a atenção do grupo, que diante do exposto pelo professor, provocado por meus questionamentos, uniu a estratégia de formas de acesso e ambiência, como itens para melhoria da gestão do cuidado. Após isso, fizemos uma discussão muito profícua no sentido de pensarmos estratégias que unissem o acesso e a ambiência, e foi o que ocorreu.
Grandes idéias foram surgindo, e eu, “com o acesso na cabeça”! Quando o professor entrou na sala, para participar das discussões sobre a gestão do cuidado, achou muitíssimo interessante a questão da ambiência, mas eu, ainda incomodada com a questão do acesso ter sido descartada pelos demais, achei uma forma de conversar sobre esse assunto. Assim, questionei se junto com a questão da ambiência, pensando em cuidado, não poderíamos também falar sobre o acesso, uma vez que, sem termos a garantia de acesso, não chegamos a desfrutar da ambiência pensada para os serviços de saúde. Sim, disse o professor, e explicou rapidamente questões sobre o acesso, que foram chamando a atenção do grupo, que diante do exposto pelo professor, provocado por meus questionamentos, uniu a estratégia de formas de acesso e ambiência, como itens para melhoria da gestão do cuidado. Após isso, fizemos uma discussão muito profícua no sentido de pensarmos estratégias que unissem o acesso e a ambiência, e foi o que ocorreu.
Durante todas as discussões, baseadas
em texto de Merhy, em algumas colocações do professor, ficou em mim, a
importância da micropolítica das relações, quando tivemos que entrar em acordo
sobre a operacionalização das nossas idéias, o manejo de situações e casos
complexos apresentados para reflexão, através do texto O caso de D. Ana Maura,
onde o cotidiano dos serviços engessou de certa forma aquela equipe, e de como
se encontram meios de lidar com esse
engessamento, fazendo uso de tecnologias leves, como troca de experiências
entre equipes, ou até mesmo lançando-se mão de um outro olhar sobre as mesmas
questões, para pensar em formas de manejo dessas situações.
A meu ver, até agora, essa UPP de
Gestão do Cuidado, apresentada pelo professor Helvo, foi a mais bem
aproveitada, pela dinâmica envolvida
nesse encontro, e por tudo o que provocou em mim e na maioria dos
participantes. Nesse sentido, minha imersão no mundo do trabalho, mais
especificamente na CGGAB, mostrou-se imensamente rica em todos os sentidos, mas
um sentido que para mim teve maior
significado, foi a de ter conseguido fazer com que a questão do acesso
caminhasse junto com a questão da ambiência, como formas efetivas de melhoria
na gestão do cuidado. Com tudo isso, sinto que os movimentos dos quais tenho me
envolvido em minha coordenação, além de melhorar a minha capacidade de análise
crítica do contexto, me fazem também perceber o quanto de articulação e
parceria, é necessário para que tenhamos êxito em nosso planejamento, no
sentido de tornar concreto, tudo o que pensamos, e porque não dizer, sonhamos,
para esse SUS mais justo e igualitário para todo cidadão que tem direito e
necessidade de ter suas demandas atendidas e acima de tudo, acolhidas como
prioridades para as “pontas”!
Referências:
MERHY,
Emerson Elias, FUERWERKER, Laura Camargo Macruz e CERQUEIRA, Maria Paula. Da repetição a diferença: construindo
sentidos com o outro no mundo do cuidado.
Caso extraído de: SLOMP JUNIOR, Helvo. Uma
experienciação em Educação Permanente em Saúde: ativação coletiva de projetos
terapêuticos compartilhados com operação de conceitos advindos da homeopatia.
Rio de Janeiro, 2015. Tese (Doutorado em Medicina) – Faculdade de Medicina da
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2015.
Micropolítica
e saúde: produção do cuidado, gestão e formação/ Org. Laura Camargo Macruz Fuerwerker.
- Porto Alegre: Rede UNIDA, 2014. 174 p. - (Coleção Micropolítica do Trabalho e
o Cuidado em Saúde).

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