quinta-feira, 14 de maio de 2015

Chegada da turma em Brasília!





Dia de escolha dos Campos de Imersão. SGTES e DAB - O dia de grandes lições e decisões. 






O grande dia da escolha dos campos de imersão chegou. O momento era de tensão geral, pois todos traziam consigo seus desejos, suas ansiedades, suas expectativas, e comigo não foi diferente. Eu já tinha meu desejo bem delineado e dessa forma segui rumo à escolha dos campos de imersão.

Esse dia foi marcado por um grande impasse, uma vez que o meu querer esbarrou num mesmo querer de outro, o que trouxe grandes movimentos e expectativas no coletivo. Pois bem, eu e Carol Coixxxme (sotaque carioca) desejávamos fazer nossa imersão no mesmo departamento, na SGTES (Secretaria de Gestão do Trabalho e Educação em Saúde) e nesse momento, começaram nossas dúvidas e ansiedades. Nenhuma de nós duas queria abrir mão de seu desejo, até porque já tínhamos chegado até ali, com o objetivo mesmo de estar na SGTES. E essa tensão permaneceu por um bom tempo, o que fez com que o coletivo chegasse a pensar em sugerir um sorteio, para decidir quem iria para o DAB (Departamento de Atenção Básica). Confesso que, até o último momento, não queria ter que abrir mão de meu sonho, até porque trazia comigo, experiências anteriores nas quais, em vários momentos, abri mão de minhas expectativas em prol do outro. Pensei que, pelo menos desta vez, o processo seria mais tranquilo. Ledo engano! Como não podia deixar de ser, não foi diferente, e após um longo processo de indecisão, Carol resolveu abrir mão de seu grande sonho. 

Nesse momento, pensei nela, e em todas as vezes que ouvia a frase: "Eu quero ir para a SGTES"desde que tínhamos chegado no Hostel, para nossa tão sonhada especialização. Diante da possibilidade de vê-la abrir mão de um sonho tão trabalhado, sim, porque para chegarmos até aqui, foram no mínimo quatro anos de dedicação exclusiva e intensiva, não pude ficar indiferente. Assim, mesmo com toda a minha expectativa e desejo, não consegui deixá-la tomar aquela atitude. Foi muito difícil para mim também ter que abrir mão desse sonho que trazia comigo, mas diante da possibilidade de ter experiências de aprendizado tão boas quanto, decidi que não, Carol não iria para o DAB e sim eu, pensando até em trajetórias de vida e experiências vividas. Foi um momento de grande emoção para todos, mas para mim e Carol, foi um momento que nos uniu em todos os sentidos, acho que para o resto de nossas vidas! 


Primeiro dia de aula da especialização com turma de Bolsistas e cursistas e professores Ricardo Cecim e Lisiane Boer Possa.





Primeira passagem pelo Túnel que liga os anexos do Ministério da Saúde.



Turma de especializandos de imersão no Departamento de Atenção Básica: Mariana, Flávia, Nágila, Bárbara, Luan, Gabrielly, Rosimeire, Laura, Amanda e Carol. 

 Esse dia foi especial porque estávamos ansiosos e empolgados com a possibilidade dessa imersão e tudo o que ela nos traria. 




terça-feira, 5 de maio de 2015

A GESTÃO DO CUIDADO: AS PONTAS DE UM ICEBERG?




Café da manhã da UPP - Gestão do Cuidado -  Fiocruz 

A Gestão do Cuidado: As pontas de um Iceberg?

Pensar em Gestão do Cuidado vai muito mais além do que o termo pode dizer. É necessário termos uma visão ampla e realista do que a prática do cuidado em saúde traz de significado na experiência com o usuário. A experiência vivida durante a UPP de Gestão do Cuidado, trouxe à luz alguns questionamentos que até então, não haviam sido pensados com tanta veemência, no sentido de entendimento de situações e posturas no agir em saúde.

A relação dos textos com os assuntos tratados no encontro presencial, foi muito importante no sentido de dar mais amplitude a certas questões que passam desapercebidas para quem pensa e faz saúde, uma vez que o cotidiano desse trabalho, muitas vezes se sobrepõe às reais necessidades que envolvem esse ser ( o usuário) que busca para si, um cuidado e uma atenção em suas questões de necessidades prementes, ou seja o seu cuidado em (com a) saúde.

Nesse sentido, a imersão no serviço, mais especificamente na Coordenação Geral de Gestão da Atenção Básica (CGGAB), torna-se fundamental para essa análise que ora apresentarei, uma vez que o embasamento e o entendimento do que  e como se pensa saúde nesse lugar, diz muito sobre o modo de gestão do cuidado em saúde, numa perspectiva mais macro. Assim, esse encontro de teoria, reflexão e prática das estratégias de como tornar o Sistema Único de Saúde (SUS) que queremos, uma realidade, vai se delineando ao passo em que vamos adentrando esse cotidiano de pensar, planejar e tentar implantar políticas que dêem conta desse gigantesco projeto de modelo de sociedade, que é o SUS.

Os textos apresentados na aula presencial foram de grande importância, pois, agora falando de minhas experiências pessoais, trouxeram para mais próximo de mim, um cotidiano do qual não tinha conhecimento de fato, uma vez que, como acadêmica, não havia trabalhado na “ponta” e assim, as experiências relatadas, sempre se apresentavam como uma interrogação. Ponta? Mas que ponta é essa?

O termo “ ponta” tem sido muito utilizado na área da saúde como o cotidiano do serviço em sua essência, nos locais mesmo onde acontecem, local de execução, de práticas; mas  ouso dizer que quem reflete, pensa e operacionaliza as políticas também está na ponta, uma vez que dependendo do ângulo que se olhe, a ponta está para uma direção ou outra.

Digo isso porque comumente quando se utiliza o termo ponta, a primeira figura que vem à mente é a “ponta do Iceberg”, aquela ponta emersa, visível , na qual aparecem as ações realizadas no cotidiano do serviço, suas práticas e ofertas no sentido de dar cabo do cuidado do usuário em todas as suas demandas, o exercício do fazer saúde. Na outra  ponta, submersa, mergulhada, a ponta onde se pensa, se reflete e se buscam meios de operacionalizar esses instrumentos que são utilizados,  que guarda em si, muitos planejamentos complexos e nem sempre tem em seu escopo de ações, possibilidades de operacionalização desses planejamentos, está a gestão.

Esse pensamento e analogia surgiu durante uma atividade da UPP onde deveríamos pensar em formas de melhor operacionalização da Gestão do Cuidado. Assim, reunidos em grupos, pensamos, de uma forma livre, em práticas que qualificariam os processos de gestão do cuidado. Reunidos, a minha sugestão foi de discussão sobre o acesso, vendo nesse assunto, uma grande questão do usuário. Em contrapartida, a maioria queria discutir ambiência. Houve um longo debate de idéias, mas ao fim chegaram à conclusão de que a discussão deveria girar em torno da ambiência. A partir desse momento, me sentindo incomodada com a condução das atividades, fiquei pensando em como discutir ambiência, sem antes pensar na forma como o usuário iria poder ter acesso a todas essas formas de acolhimento. 

Grandes idéias foram surgindo, e eu,  “com o acesso na cabeça”! Quando o professor entrou na sala, para participar das discussões sobre a gestão do cuidado, achou muitíssimo interessante a questão da ambiência, mas eu, ainda incomodada com a questão do acesso ter sido descartada pelos demais, achei uma forma de conversar sobre esse assunto. Assim, questionei se junto com a questão da ambiência, pensando em cuidado, não poderíamos também falar sobre o acesso, uma vez que, sem termos a garantia de acesso, não chegamos a desfrutar da ambiência pensada para os serviços de saúde. Sim, disse o professor, e explicou rapidamente questões sobre o acesso, que foram chamando a atenção do grupo, que diante do exposto pelo professor, provocado por meus questionamentos, uniu a estratégia de formas de acesso e ambiência, como itens para melhoria da gestão do cuidado. Após isso, fizemos uma discussão muito profícua no sentido de pensarmos estratégias que unissem o acesso e a ambiência, e foi o que ocorreu.

Durante todas as discussões, baseadas em texto de Merhy, em algumas colocações do professor, ficou em mim, a importância da micropolítica das relações, quando tivemos que entrar em acordo sobre a operacionalização das nossas idéias, o manejo de situações e casos complexos apresentados para reflexão, através do texto O caso de D. Ana Maura, onde o cotidiano dos serviços engessou de certa forma aquela equipe, e de como se encontram meios  de lidar com esse engessamento, fazendo uso de tecnologias leves, como troca de experiências entre equipes, ou até mesmo lançando-se mão de um outro olhar sobre as mesmas questões, para pensar em formas de manejo dessas situações.

A meu ver, até agora, essa UPP de Gestão do Cuidado, apresentada pelo professor Helvo, foi a mais bem aproveitada,  pela dinâmica envolvida nesse encontro, e por tudo o que provocou em mim e na maioria dos participantes. Nesse sentido, minha imersão no mundo do trabalho, mais especificamente na CGGAB, mostrou-se imensamente rica em todos os sentidos, mas um sentido que para mim teve  maior significado, foi a de ter conseguido fazer com que a questão do acesso caminhasse junto com a questão da ambiência, como formas efetivas de melhoria na gestão do cuidado. Com tudo isso, sinto que os movimentos dos quais tenho me envolvido em minha coordenação, além de melhorar a minha capacidade de análise crítica do contexto, me fazem também perceber o quanto de articulação e parceria, é necessário para que tenhamos êxito em nosso planejamento, no sentido de tornar concreto, tudo o que pensamos, e porque não dizer, sonhamos, para esse SUS mais justo e igualitário para todo cidadão que tem direito e necessidade de ter suas demandas atendidas e acima de tudo, acolhidas como prioridades para as “pontas”!

Referências:
MERHY, Emerson Elias, FUERWERKER, Laura Camargo Macruz e CERQUEIRA, Maria Paula. Da repetição a diferença: construindo sentidos com o outro no mundo do cuidado.

 Caso extraído de: SLOMP JUNIOR, Helvo. Uma experienciação em Educação Permanente em Saúde: ativação coletiva de projetos terapêuticos compartilhados com operação de conceitos advindos da homeopatia. Rio de Janeiro, 2015. Tese (Doutorado em Medicina) – Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2015.


Micropolítica e saúde: produção do cuidado, gestão e formação/ Org. Laura Camargo Macruz Fuerwerker. - Porto Alegre: Rede UNIDA, 2014. 174 p. - (Coleção Micropolítica do Trabalho e o Cuidado em Saúde). 

E EU CONSEGUI ENTRAR NO PALÁCIO!!!

BSB-  09/01/2015

LADO DE FORA DO PLANALTO NO DIA DA POSSE DE DILMA - 01/01/2015


REFLEXÕES SOBRE A REUNIÃO NA CASA CIVIL

Impossível começar esta narrativa, sem colocar um pouco de mim mesma nesse contexto.

Após a confirmação para a reunião na Casa Civil, criou-se uma atmosfera de expectativas de como seria essa atividade. A Casa Civil, localizada no Palácio do Planalto, possui uma série de protocolos, e assim, fui inserida na realidade de Brasília. Com “roupa de Casa Civl”, como dizem os cgabianos, fui com Marcelo Pedra para a tão falada reunião. Chegando lá, não pude conter a minha alegria infantil e meio mágica em estar adentrando em um espaço tão importante quanto o Palácio do Planalto. Não, a Dilma não estava lá. Pena, pois isto teria coroado a minha primeira inserção no Palácio do Planalto. Enfim, passados esses primeiros momentos de certo regozijo, começamos com o que de fato, havia  ido fazer lá.

A reunião na Casa Civil envolveu diversos atores afim de discutir os rumos de novas políticas. 

Este momento foi de discussão e articulação no sentido de um esboço sobre a inserção do Governo Federal, dentro do Programa Crack é Possível vencer, voltado para a situação de gestantes e recém nascidos em situação de rua e violência.

Foram feitas várias discussões sobre a necessidade de se pensar numa política que inclua as mulheres gestantes e seus filhos quando em situação de rua. Diversos fatores foram pontuados, mas o que mais chamou minha atenção foi  que essa situação, embora não devesse existir, necessita de um cuidado especial, uma vez que lida com direitos e se trata de um assunto bastante complexo. 


Essa reunião marcou, para mim, um espaço de grande articulação e esforço dos diversos atores envolvidos, no sentido de se pensar em meios de construção coletiva de uma política que dê conta dessa questão. 

Assim, esse primeiro momento de inserção externa no cenário de práticas, proporcionou uma experiência inédita no sentido de participação nos espaços de discussão e análise de conjunturas e o que isso traz de significado, quando se pensa em outras possibilidades, tendo como foco o cuidado em sua integralidade. Possibilitou também  uma maior aproximação entre todos os atores envolvidos nesse processo, e a forma como é pensada essa estrutura para tornar viável e concreta uma proposta que começa sempre pelo campo das idéias e do imaginário e que ao longo das discussões vai tomando forma e tornando-se palpável.  A inserção do especializando nestes cenários é de extrema importância, pois ao mesmo tempo em que possibilita um contato real com o campo das discussões para tomada de decisões, provoca também, a necessidade de apropriação desses espaços de discussão com o objetivo de contribuir para uma construção coletiva do cuidado.