segunda-feira, 23 de maio de 2016

Vivências na Esf Santa Anita

Dia de Promoção da Saúde na Escola Estadual de Ensino Fundamental Nações  Unidas 

O Dia da Família foi realizado em 06 de maio, e reuniu várias atividades na escola.


A convite da ACS Aline, participamos do evento com nosso stand de promoção e prevenção contra a gripe H1N1. Fomos em uma equipe de 4 pessoas, a Daiani, estagiária em enfermagem, a Aline, agente comunitária eu e Raquel, residentes em Saúde Coletiva.



Havia várias atividades e foi um dia muito intenso. A atividade continha brechó, stand do CRAS (Centro de referência em Assistência Social) Cristal, Centro de Educação Profissional Calábria, com algumas ofertas de trabalho para os adolescentes, além de manicure, cabeleireira, maquiagem para as pessoas que circulavam por lá. 


Fizemos algumas intervenções de como lavar as mãos para evitar transmissão e contágio da gripe H1N1, entre outros. A atividade também contou com a presença da disciplina de Práticas Integradas, onde as meninas puderam conhecer um pouço mais do território.



Essa atividade nos proporcionou colocar em prática algumas ações de prevenção e promoção da saúde, bem como através dos encontros, pudemos perceber o quanto de envolvimento com as crianças do território, a equipe da escola tem, e  esta atividade foi uma forma de intergração família escola, num território com histórias de violência, negligência e insegurança.




A integração ensino-serviço-comunidade, se mostrou potente na medida em que nos apresentou um território  que ainda estamos tentando desvendar. 
Vivências na Esf Santa Anita

Dia de Vacinação

O dia D de vacinação contra gripe H1N1, começou com as vacinas chegando atrasadas. Necessário esclarecer que a ESF Santa Anita, assim como várias outras unidades de saúde, não possui a geladeira apropriada para a conservação das vacinas, por esse motivo, a distribuição das vacinas foi feita pela gerência através de caixa térmica.

O começo do dia foi bastante agitado, pois muitas pessoas que não pertenciam ao território foram para se vacinar e a prioridade era para os grupos de risco pertencentes ao território. Foi um momento em que pudemos conhecer mais pessoas do território e sentir um pouco mais sua dinâmica.


Eu e Raquel nos revezamos preenchendo o caderno de vacinação dos usuários com nome, data de nascimento , lote da vacina , junto com Nanci, que triava os usuários prioritários.





O fato de não termos intervalo para o almoço, também foi muito bom, porque fizemos uma vaquinha e o almoço foi risoto de frango com saladas, feito pela Karina, excelente cozinheira.




Trabalhar na campanha de vacinação, trouxe uma visão do território com um pouco mais de consistência, pois Nanci, a coordenadora, sempre nos dizia quem eram as pessoas, onde moravam e se tinham algum problema. 



A Biblioteca em movimento

Com o novo espaço da biblioteca sendo ofertado para o usuário, surgiu uma demanda de uma mãe, a qual passo a narrar.

A mãe veio para uma consulta e observando a biblioteca, que contem livros diversos entre infantis, juvenis e adultos, e após uma conversa com a técnica de enfermagem, relatou a ela que seu filho estava com dificuldades de leitura e escrita na escola, e que estava até sofrendo discriminação, pois ninguém queria sentar com ele, para as tarefas em sala de aula. 

A técnica, então,aconselhou a mãe que talvez levasse alguns livros de fácil entendimento, para que junto com o filho, pudesse ler e talvez ajudá-lo um pouco mais. E assim ela fez, foi até a biblioteca e separou dois livros de histórias infantis e levou emprestado. 

Aquele episódio mexeu comigo, pois quando pensamos na biblioteca, pensamos no sentido de que ela fosse uma possibilidade de acesso à leitura, por isso não controlamos quem retira os livros e de fato, ela teve muito mais que essa finalidade. De repente, deu possibilidade de que as pessoas a usassem sem tanta burocracia, de maneira livre . Posso dizer que deu tudo certo, pois um tempo depois, a mãe devolveu os dois livros e agradeceu  a ajuda.

Isso nos deixou extremamente felizes, pois a ideia de acesso á leitura se mostrou interessante após esse episódio.
Abaixo palavras de Paulo Freire que falam um pouco sobre essa narrativa.

“Para a concepção crítica,

 o analfabetismo nem é uma

 ’chaga’, nem uma ‘erva daninha’

a ser erradicada (...) mas uma

 das expressões concretas de

 uma realidade social injusta.”


A Livreoteca

Vivências na Esf Santa Anita

O Desafio de construir a Biblioteca e a Brinquedoteca.

Assim que nos apropriamos um pouco mais do espaço da ESF, uma demanda que a equipe já havia pensado ,  por falta  de tempo ainda estava apenas no campo dos desejos.

A unidade é um espaço bastante frio, e de certa forma, o fato de ter muitas crianças no território também trouxe a necessidade de um espaço mais humanizado, assim, surgiu a idéia de utilizar um espaço para fazer um lugar para as crianças brincarem, mas não só, o espaço também comportaria a biblioteca.

Karina já havia pedido para as funcionárias da escola uns pallets que traziam as frutas e eram jogados fora, dessa forma, a biblioteca começou a tomar consistência, e junto com ela, o espaço das crianças, a brinquedoteca. Importante salientar que foi um esforço conjunto da equipe, sendo que todos colaboraram com doações de brinquedos e livros.

A idéia inicial era pintar as caixas de cores diversas, como já haviam visto em outros espaços, mas achamos melhor, lixar e fazer um acabamento em verniz para que as pessoas quando olhassem, soubessem que aquela caixa também serviria como um objeto de decoração, assim, mãos à obra.







Foram dias de muito trabalho e intensidade, pois a idéia de fazer o espaço kids nos impulsionava, apesar do cansaço dos primeiros dias de imersão no campo.

Após lixarmos as caixas, e darmos o acabamento com o verniz semi brilho, a próxima etapa era fixar as caixas para servir como prateleiras para os livros.

Inicialmente, pensou-se em uma estante , com uma caixa em cima da outra, mas, seguindo uma sugestão da Karina, optamos por fazer intercaladas as caixas. Como as paredes da unidade são muito grossas, optamos por fazer o furo de fixação das caixas entre um tijolo e outro da parede.






Ah sim, a agente comunitária Aline trouxe os equipamentos necessários como furadeira, broca e extensão, e nós compramos os parafusos e buchas para fixação.












Com a biblioteca praticamente pronta, partimos para a brinquedoteca, que nos pareceu um pouco mais tranqüilo, pois não teríamos que utilizar muitas ferramentas e nem muita força física, como na biblioteca.




A equipe se uniu e trouxe tapetes de EVA, brinquedos usados em bom estado e objetos de decoração, como o mago, a cadeirinha, entre outros.





Após muito trabalho e muita criatividade para fazer com que esse projeto acontecesse no dia que foi entregue para as crianças, foi uma grande novidade para elas e trouxe para o ambiente, um certo colorido que antes não havia. Claro que nem tudo foram flores, então tivemos alguns desafios para botar em prática essa tarefa.

Por se tratar de uma unidade de saúde, logo se questionou se aquele não seria um lugar de transmissão de doenças, uma vez que concentraria as crianças naquele espaço. Essa indagação nos fez pensar que em outros espaços de cuidado este lugar também existe, então, mantivemos o espaço, mas com algumas regras de higienização, como passar álcool nos brinquedos após o uso. Dessa sorte, rompemos o primeiro desafio. 

O segundo foi quebrar a resistência da equipe no sentido de não controlar os livros, que eram doação e nem os brinquedos. Mais uma vez, tivemos que usar de muita argumentação e enfim, decidimos por carimbar os livros com o nome da ESF Santa Anita, para que quem emprestasse os livros em algum momento os devolvesse, assim como os brinquedos, que em um primeiro momento deveriam ser amarrados, para que não fossem levados embora. Mais um desafio e a nossa argumentação de que como os brinquedos são doação, se fossem levados, não teria muito problema, pediríamos mais doações.

Mas, como não se vence todas as batalhas, houve a necessidade de se colocar, então, um aviso na parede da brinquedoteca que os brinquedos não poderiam ser levados para fora da unidade e só deveriam ser utilizados naquele espaço.

Como as crianças fizeram vários desenhos e pinturas, decidimos guardar com nome e idade e pensamos em fazer uma exposição desses trabalhos no dia das crianças ou no natal, ainda não temos a data certa, mas enfim, coisas que o simples fato de se ter um espaço de criatividade, possibilitou vislumbrar essa ação.


E dessa forma vem funcionando muito bem, com muitas doações de livros e brinquedos.


ITINERÂNCIAS ENSINO SERVIÇO

Sabores e dores:

O espaço da cozinha também se mostra um espaço leve muitas vezes, apesar da tônica das discussões que são feitas nem sempre o sejam.

Todos os dias chego no trabalho e vou direto para a cozinha.
Cabe aqui uma explicação:  como pego apenas um ônibus e cujo horário me deixa antes de abrir a unidade, quase sempre chego cedo, juntamente com Raquel, a técnica que mora no território e por isso mesmo, se encarrega de abrir a unidade todos os dias. Lá, quem chega primeiro coloca os canecões com  água para ferver, adiantando o trabalho para a Carina, serviços gerais que faz tudo.

Em certa tarde, quando chegamos ao trabalho Raquel e eu, havia uma excitação no ar.

Durante o horário do almoço, houve uma situação de emergência onde uma guria de 11 anos chegou à unidade com fortes dores na cabeça e enrigecimento muscular. Nanci examinou a paciente e como suspeitou de síndrome de Guilain Barret, acionou o SAMU e imediatamente a guria foi encaminhada para o Hospital de referência.

A agente responsável por aquela área não estava naquele momento, mas quando chegou, trouxe outras informações para ajudar naquele caso. O relato dela é de que naquele dia, após o episódio com a guria no posto, uma vizinha lhe disse que a guria havia deixado o irmão que estava sob seus cuidados, cair, e que a mãe do bebê, sua madrasta ficou muito brava com ela. 

A Agente relatou que o pai da guria era um homem muito bom, trabalhador e honesto, mas que teve que se separar da mãe da guria e ficou com a guarda, pois a mãe estava “perambulando” por aí. Segundo seu relato, a madrasta não faz muita coisa, quem cuida dos filhos é o marido. Ela acredita que talvez a madrasta possa ter se descontrolado e agredido a menina, talvez jogando-a contra a parede, o que justificaria as fortes dores na cabeça.

Entre várias indagações sobre os possíveis motivos para aquela suposta agressão, foi pontuada a displicência do pai no cuidado com a menina, o que gerou um momento de muita apreensão por parte da agente. 

Em um momento depois, se referindo à possível agressividade por parte da madrasta e com um sentimento de muita raiva expressado, soltou a seguinte frase: “o diabo parece ter comparsa”. 

Neste momento, foi impossível continuar com o tom que o momento exigia para dar uma gargalhada diante dessa frase. Assim, um caso pesado, sério e até perturbador, ganhou um contorno de certa leveza, para que pudesse ser, talvez, aceito pela equipe.






ITINERÂNCIAS ENSINO SERVIÇO

Sabores e dores: A cozinha como espaço plural de organização da ESF.

A unidade não possui sala de reuniões. A cozinha é usada para tudo pois além de mesa, fogão, geladeira e microondas tem também a mesa da Dra. Nanci e o computador e impressora usado por todos para alimentar os sistemas de informação, imprimir informes, receitas, e tudo o que diz respeito a impressões. 

Essa disposição faz com que várias cenas se transversalizem ou seja, discussão de caso, planejamento de ações, encaminhamentos, reunião de equipe, almoço, café, comemorações festivas, absolutamente tudo passa por ali.

Para ilustrar a narrativa, abaixo algumas imagens do dia de despedida da R1 Kellyn onde fizemos a festa.








No começo não entendi muito bem, essa disposição das coisas, mas ao longo dos dias passados, pude observar a cozinha como um espaço potente para trocas em todos os sentidos. Ao mesmo tempo em que agrega, quando reúne todos naquele local para um café, um almoço ou uma comemoração, se transforma muitas vezes em terreno de grandes disputas quando, por exemplo, são realizadas as reuniões de equipe.

Falta de espaço às vezes pode ser utilizada como potência de reflexões e percepções do território e o que ele produz tanto em saúde como em doença. A dinâmica da ESF é muito forte e instigante pois todas as questões passam pela Nanci, a médica . Ela tem muito conhecimento sobre o território pois mora no bairro a algum tempo. Isso faz com que ela seja conhecida e respeitada pela comunidade, pois sua preocupação com o cuidado do usuário se mostra quando, por exemplo, ela pára o carro onde está e pergunta a algum morador sobre seu estado de saúde. A equipe coordenada por ela também é muito dedicada e se entrosa bem.

Quando questionei Nanci sobre todas as dificuldades do território, a violência e tantos estigmas que cercam aquele território, ela prontamente me respondeu: “Os benefícios são maiores que os riscos. "

domingo, 15 de maio de 2016

ITINERÂNCIAS ENSINO SERVIÇO

Minha Escolha: ESF Santa Anita

Após percorrermos as Unidades de Saúde, minha escolha foi pela Estratégia de Saúde da Família Santa Anita.
A escolha do campo deveria contemplar uma dupla de formações acadêmicas diferentes, assim, a composição se tornaria mais rica, no sentido de trocas e reflexões.
A escolha do campo foi tranqüila, para esse lugar havia apenas três pessoas interessadas, o que, após consenso e disposição da terceira interessada, Deborah, Sanitarista assim como eu, optou por escolher outra unidade de saúde, da qual também havia gostado. 
Assim, a composição da nossa dupla foi feita com Raquel Hertzog, Assistente Social de formação e eu, Sanitarista da Graduação em Saúde Coletiva .
De acordo com Ceccim e Fe rla (2008/09):

Para uma nova exigência de formação, cabe pensar não o que é ou o que deve, mas o que pode uma formação: buscar a potência, levantando questões, investigando realidades e interrogando paisagens, na perspectiva de uma aprendizagem de si, dos entornos e dos papéis profissionais (potências profissionais). [...]

A ESF Santa Anita fica localizada na Rua Gregório da Fonseca, 98, no bairro Nonoai . Seu território faz parte da Gerência Distrital Glória Cruzeiro e Cristal . Lá se encontra uma equipe mínima de ESF:
1 Médica : Nanci Goulart Teixeira
1 Enfermeira: Cintia
2 Técnicas de Enfermagem: Raquel e Zilá
4 Agentes Comunitários de Saúde  (ACS): Cida, Tina, Janete (temporariamente afastada das funções ) e Aline.
1 Serviços Gerais: Carina
1 Porteira : Elizangela.

No momento atual também conta com 1 residente Rodolfo, 2 doutorandos: Luciane e Thiago e 1 estagiária  em  Enfermagem: Daiani. Fomos recebidas pela Kellyn antiga R1 que teve como cenário de prática a ESF Santa Anita.



A unidade é bastante movimentada. Recebe acadêmicos, doutorandos, residentes, entre outros. É um cenário de prática da Unidade de Produção Pedagógica (UPP) Práticas Integradas em Saúde, um programa de Extensão da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que promove uma interação entre profissionais com diversas formações na área da saúde, no sentido de tentar contribuir com as condições de vida naquele território e parceria com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Essa dinâmica também vem cobrir a lacuna de uma equipe mínima e a mesma, desta forma, tenha uma boa capacidade de atender às demandas da população.

Localizada no pátio da Escola Estadual de Educação Fundamental Piauí, no bairro Nonoai em um espaço cedido pela escola e de um tamanho relativamente bom, tenta dar conta das demandas em uma área de extrema vulnerabilidade e dificuldade em todos os sentidos. A sala de vacina está desativada, como na maioria das unidades da gerência, por falta da geladeira própria, que tem várias especificações para poder ser instalada, caso estivesse disponível, que a unidade ainda não consegue suprir, sendo que o principal fator é o fato dali não ser o lugar definitivo da unidade e sim um lugar provisório, que há mais de vinte anos está sendo utilizado.  Por enquanto o provisório acabou se tornando o definitivo e assim segue...



VIAGENS ITINERANTES

ILHA GRANDE DOS MARINHEIROS

Continuando nossa itinerância pelo território, fomos conhecer as Ilhas. Nosso encontro foi marcado no terminal de ônibus do centro de Porto Alegre para seguirmos rumo às ilhas. Durante todo o percurso fomos conversando sobre as nossas expectativas sobre as ilhas e como seria esse “desvendar” o território.
Nossa primeira parada foi na Ilha dos Marinheiros. Conhecemos o CRAS e o trabalho que eles realizam lá. Em seguida fomos percorrer o território .
Abaixo algumas imagens, que a meu ver, falam por si só.






Bem, continuando o percurso, aproveitei para mapear alguns equipamentos sociais do território. Locais onde a comunidade pode se reunir e de certa forma, se organizar enquanto coletivo. Existem várias igrejas, restaurante pequeno, borracharia, bar, o Cras e ao seu redor, a Cooperativa de moradores, a biblioteca comunitária , entre outros.









Na Ilha Grande dos Marinheiros, nosso local de visita, também existe uma cooperativa de reciclagem Chamada Resgatando a Dignidade, que tem como principal organizadora a Sueli. Uma pessoa muito bem articulada, com grande poder de mobilização social e ao mesmo tempo com uma vontade enorme de fazer com que as pessoas daquele território tenham, no mínimo, a noção de cidadania e de luta por direitos. Sua formação vem da pastoral da Saúde (criança e pessoa idosa), cuja fundadora e maior representante foi Zilda Arns, médica pediatra e Sanitarista , cuja vida de luta foi ceifada em um terremoto no Haiti em 12 de janeiro de 2010. O projeto envolve os moradores do território, buscando resgatar a cidadania perdida. Como o território tem muitos problemas entre eles álcool e drogas, etc., o projeto surge como uma forma de comprometer o morador no sentido de desenvolver uma atividade, desde que esteja em condições para isso, e ao invés de distribuir cestas básicas, tenta envolver a pessoa no ambiente do trabalho, no sentido mesmo, de que perceba que seu trabalho e esforço valem a pena. A cooperativa tem algumas produções como pão, sabão, entre outros, que colaboram no sentido de gerar emprego e renda para a população local. Nesse sentido, a economia solidária, naquele território, surge como possibilidade potente de resgate de cidadania.
Segundo Paul Singer no livro A outra economia (2003 a, p. 116) :

Economia Solidária é hoje um conceito amplamente utilizado dos dois lados do Atlântico , com acepções variadas , mas que giram todas ao redor da idéia de solidariedade , em contraste com o individualismo competitivo que caracteriza o comportamento padrão nas sociedades capitalistas. O conceito se refere á organização de produtores, consumidores, poupadores, etc., que se distinguem por duas especificidades: (a) estimulam a solidariedade entre os membros mediante a prática de autogestão e (b) praticam a solidariedade para com a população em geral.

A parceria com o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) possibilita que os trabalhadores tenham garantidas as cargas de materiais recicláveis necessárias para fazer “girar a roda” da produção e a cooperativa cumpra com seu papel social. O terreno da Cooperativa é emprestado por uma pessoa, e o medo da desapropriação também foi apontado na conversa com Sueli.
Algumas fotos para ilustrar essa narrativa com imagens reais:








Apesar das condições, pelo meu olhar de primeiro reconhecimento, o que ficou dessa passagem pela Ilha dos Marinheiros, é que a força de mobilização faz com que as pessoas se sintam responsabilizadas e comprometidas com o seu “andar a vida”.


“O território é o chão e mais a população, isto é uma identidade, o fato e o sentimento de pertencer àquilo que nos pertençe. O território é a base do trabalho, da residência, das trocas materiais e espirituais e da vida, sobre as quais ele influí. Quando se fala em território deve-se, pois, de logo, entender que está falando em território usado, utilizado por uma população.”

Do livro: Por outra globalização - do pensamento único à consciência universal. Milton Santos, Record, 2003, 174 p. 

VIAGENS ITINERANTES


E a itinerância começou.

Essa etapa que demarcou nossa inserção como Residentes em Saúde Coletiva, os R1, foi muito importante no sentido de que pudemos conhecer nosso território de atuação.

Nossas atividades nesse primeiro ano como R1, serão focalizadas no Distrito Glória Cruzeiro e Cristal, que abriga Estratégias de Saúde da Família e Unidades Básicas de Saúde.
Conhecendo a GDCC – Gerência Distrital Glória Cruzeiro e Cristal
Essa escolha dos cenários de prática foi justamente por esse território pertencer a áreas de extrema vulnerabilidade, onde a atuação de profissionais com uma vocação maior para as políticas públicas do SUS se torna uma ferramenta importante no cotidiano dos trabalhadores e usuários daquele território, além disso, a necessidade de abertura e expansão de campos de trabalho para atuação dos Sanitaruistas.

Desbravando o território

“...do território não escapa nada, todas as pessoas estão nele, todas as empresas, não importa o tamanho, estão nele, todas as instituições também, então o território é um lugar privilegiado para interpretar o país.” No globalitarismo, as grandes empresas é que fazem a política. Milton Santos. Revista Caros Amigos, 17-08-1998, São Paulo, 1998.

Nossa viagem começou pelo contato com as Equipes de Saúde da Família (ESF) pertencentes ao eixo GCC. Em grupos de quatro residentes fomos conhecendo os caminhos que nos levavam ao território, até então, desconhecido para a maior parte de nós. Entre ônibus e paradas erradas e muitas, muitas horas de caminhada, fomos pouco a pouco tendo contato com o que o território nos ofertava. Algumas com extrema dificuldade de acesso outras nem tanto, mas ao fim e ao cabo, tudo correu da melhor forma possível.



Abaixo algumas fotos que marcaram nossa passagem por algumas ESF.



Nosso Grupo: Rosi, Maristela, Andrea e .... Que na manhã do primeiro dia desistiu da Residência por motivos particulares.


ESF Estrada dos Alpes – Fomos recepcionadas pelos R2 Gabriela e Diogo que nos mostraram o que haviam feito durante o ano e algumas nuances sobre o território.






Belém Velho onde fomos recepcionados pelo Sérgio, porteiro da unidade e principal articulador do Remelexo e posteriormente pela equipe. O que mais chamou a minha atenção foram ações de promoção muito presentes e  todos os espaços.

  













Graciliano Ramos, recepcionadas pela Gabriela e pela Geisa



 Elas nos mostraram o território e o que haviam feito durante o ano lá também.




Santa Tereza unidade reformada sem nenhum tipo de identificação. Fomos recebidas por um dos ACS que nos mostrou a unidade e explicou um pouco sobre o dia a dia.


Orfanotrófio recebidas pelas residentes que tem um trabalho de reforço escolar com crianças no turno inverso que chamou bastante a nossa atenção, além da biblioteca comunitária onde foi utilizada uma geladeira doada pela comunidade.


.Fomos para algumas outras Unidades como Cascata,Nossa Senhora das Graças e Santa Anita onde estava a Kellyn, que nos mostrou o que havia feito durante o percurso como R1 naquela comunidade. 


Bom, depois dessa maratona de reconhecimento do território, nada melhor do que uma cerveja bem gelada para refrescar nossas mentes e corações depois de um sol de mais de 40º e trocarmos as nossas impressões sobre esse reconhecimento dos nossos possíveis locais de inserção.