segunda-feira, 23 de maio de 2016

ITINERÂNCIAS ENSINO SERVIÇO

Sabores e dores: A cozinha como espaço plural de organização da ESF.

A unidade não possui sala de reuniões. A cozinha é usada para tudo pois além de mesa, fogão, geladeira e microondas tem também a mesa da Dra. Nanci e o computador e impressora usado por todos para alimentar os sistemas de informação, imprimir informes, receitas, e tudo o que diz respeito a impressões. 

Essa disposição faz com que várias cenas se transversalizem ou seja, discussão de caso, planejamento de ações, encaminhamentos, reunião de equipe, almoço, café, comemorações festivas, absolutamente tudo passa por ali.

Para ilustrar a narrativa, abaixo algumas imagens do dia de despedida da R1 Kellyn onde fizemos a festa.








No começo não entendi muito bem, essa disposição das coisas, mas ao longo dos dias passados, pude observar a cozinha como um espaço potente para trocas em todos os sentidos. Ao mesmo tempo em que agrega, quando reúne todos naquele local para um café, um almoço ou uma comemoração, se transforma muitas vezes em terreno de grandes disputas quando, por exemplo, são realizadas as reuniões de equipe.

Falta de espaço às vezes pode ser utilizada como potência de reflexões e percepções do território e o que ele produz tanto em saúde como em doença. A dinâmica da ESF é muito forte e instigante pois todas as questões passam pela Nanci, a médica . Ela tem muito conhecimento sobre o território pois mora no bairro a algum tempo. Isso faz com que ela seja conhecida e respeitada pela comunidade, pois sua preocupação com o cuidado do usuário se mostra quando, por exemplo, ela pára o carro onde está e pergunta a algum morador sobre seu estado de saúde. A equipe coordenada por ela também é muito dedicada e se entrosa bem.

Quando questionei Nanci sobre todas as dificuldades do território, a violência e tantos estigmas que cercam aquele território, ela prontamente me respondeu: “Os benefícios são maiores que os riscos. "

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