domingo, 15 de maio de 2016

VIAGENS ITINERANTES

ILHA GRANDE DOS MARINHEIROS

Continuando nossa itinerância pelo território, fomos conhecer as Ilhas. Nosso encontro foi marcado no terminal de ônibus do centro de Porto Alegre para seguirmos rumo às ilhas. Durante todo o percurso fomos conversando sobre as nossas expectativas sobre as ilhas e como seria esse “desvendar” o território.
Nossa primeira parada foi na Ilha dos Marinheiros. Conhecemos o CRAS e o trabalho que eles realizam lá. Em seguida fomos percorrer o território .
Abaixo algumas imagens, que a meu ver, falam por si só.






Bem, continuando o percurso, aproveitei para mapear alguns equipamentos sociais do território. Locais onde a comunidade pode se reunir e de certa forma, se organizar enquanto coletivo. Existem várias igrejas, restaurante pequeno, borracharia, bar, o Cras e ao seu redor, a Cooperativa de moradores, a biblioteca comunitária , entre outros.









Na Ilha Grande dos Marinheiros, nosso local de visita, também existe uma cooperativa de reciclagem Chamada Resgatando a Dignidade, que tem como principal organizadora a Sueli. Uma pessoa muito bem articulada, com grande poder de mobilização social e ao mesmo tempo com uma vontade enorme de fazer com que as pessoas daquele território tenham, no mínimo, a noção de cidadania e de luta por direitos. Sua formação vem da pastoral da Saúde (criança e pessoa idosa), cuja fundadora e maior representante foi Zilda Arns, médica pediatra e Sanitarista , cuja vida de luta foi ceifada em um terremoto no Haiti em 12 de janeiro de 2010. O projeto envolve os moradores do território, buscando resgatar a cidadania perdida. Como o território tem muitos problemas entre eles álcool e drogas, etc., o projeto surge como uma forma de comprometer o morador no sentido de desenvolver uma atividade, desde que esteja em condições para isso, e ao invés de distribuir cestas básicas, tenta envolver a pessoa no ambiente do trabalho, no sentido mesmo, de que perceba que seu trabalho e esforço valem a pena. A cooperativa tem algumas produções como pão, sabão, entre outros, que colaboram no sentido de gerar emprego e renda para a população local. Nesse sentido, a economia solidária, naquele território, surge como possibilidade potente de resgate de cidadania.
Segundo Paul Singer no livro A outra economia (2003 a, p. 116) :

Economia Solidária é hoje um conceito amplamente utilizado dos dois lados do Atlântico , com acepções variadas , mas que giram todas ao redor da idéia de solidariedade , em contraste com o individualismo competitivo que caracteriza o comportamento padrão nas sociedades capitalistas. O conceito se refere á organização de produtores, consumidores, poupadores, etc., que se distinguem por duas especificidades: (a) estimulam a solidariedade entre os membros mediante a prática de autogestão e (b) praticam a solidariedade para com a população em geral.

A parceria com o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) possibilita que os trabalhadores tenham garantidas as cargas de materiais recicláveis necessárias para fazer “girar a roda” da produção e a cooperativa cumpra com seu papel social. O terreno da Cooperativa é emprestado por uma pessoa, e o medo da desapropriação também foi apontado na conversa com Sueli.
Algumas fotos para ilustrar essa narrativa com imagens reais:








Apesar das condições, pelo meu olhar de primeiro reconhecimento, o que ficou dessa passagem pela Ilha dos Marinheiros, é que a força de mobilização faz com que as pessoas se sintam responsabilizadas e comprometidas com o seu “andar a vida”.


“O território é o chão e mais a população, isto é uma identidade, o fato e o sentimento de pertencer àquilo que nos pertençe. O território é a base do trabalho, da residência, das trocas materiais e espirituais e da vida, sobre as quais ele influí. Quando se fala em território deve-se, pois, de logo, entender que está falando em território usado, utilizado por uma população.”

Do livro: Por outra globalização - do pensamento único à consciência universal. Milton Santos, Record, 2003, 174 p. 

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