VIAGENS ITINERANTES
ILHA GRANDE DOS MARINHEIROS
Continuando nossa itinerância pelo território, fomos
conhecer as Ilhas. Nosso encontro foi marcado no terminal de ônibus do centro
de Porto Alegre para seguirmos rumo às ilhas. Durante todo o percurso fomos
conversando sobre as nossas expectativas sobre as ilhas e como seria esse “desvendar”
o território.
Nossa primeira parada foi na Ilha dos Marinheiros. Conhecemos
o CRAS e o trabalho que eles realizam lá. Em seguida fomos percorrer o
território .
Abaixo algumas imagens, que a meu ver, falam por si só.
Bem, continuando o percurso, aproveitei para mapear
alguns equipamentos sociais do território. Locais onde a comunidade pode se
reunir e de certa forma, se organizar enquanto coletivo. Existem várias
igrejas, restaurante pequeno, borracharia, bar, o Cras e ao seu redor, a
Cooperativa de moradores, a biblioteca comunitária , entre outros.
Na Ilha Grande dos Marinheiros, nosso local de visita,
também existe uma cooperativa de reciclagem Chamada Resgatando a Dignidade, que
tem como principal organizadora a Sueli. Uma pessoa muito bem articulada, com
grande poder de mobilização social e ao mesmo tempo com uma vontade enorme de
fazer com que as pessoas daquele território tenham, no mínimo, a noção de
cidadania e de luta por direitos. Sua formação vem da pastoral da Saúde
(criança e pessoa idosa), cuja fundadora e maior representante foi Zilda Arns, médica
pediatra e Sanitarista , cuja vida de luta foi ceifada em um terremoto no Haiti
em 12 de janeiro de 2010. O projeto envolve os moradores do território,
buscando resgatar a cidadania perdida. Como o território tem muitos problemas
entre eles álcool e drogas, etc., o projeto surge como uma forma de comprometer
o morador no sentido de desenvolver uma atividade, desde que esteja em
condições para isso, e ao invés de distribuir cestas básicas, tenta envolver a
pessoa no ambiente do trabalho, no sentido mesmo, de que perceba que seu
trabalho e esforço valem a pena. A cooperativa tem algumas produções como pão,
sabão, entre outros, que colaboram no sentido de gerar emprego e renda para a
população local. Nesse sentido, a economia solidária, naquele território, surge
como possibilidade potente de resgate de cidadania.
Segundo Paul Singer no livro A outra economia (2003 a, p.
116) :
Economia
Solidária é hoje um conceito amplamente utilizado dos dois lados do Atlântico ,
com acepções variadas , mas que giram todas ao redor da idéia de solidariedade
, em contraste com o individualismo competitivo que caracteriza o comportamento
padrão nas sociedades capitalistas. O conceito se refere á organização de
produtores, consumidores, poupadores, etc., que se distinguem por duas
especificidades: (a) estimulam a solidariedade entre os membros mediante a
prática de autogestão e (b) praticam a solidariedade para com a população em
geral.
A parceria com o Departamento Municipal de Limpeza Urbana
(DMLU) possibilita que os trabalhadores tenham garantidas as cargas de
materiais recicláveis necessárias para fazer “girar a roda” da produção e a
cooperativa cumpra com seu papel social. O terreno da Cooperativa é emprestado
por uma pessoa, e o medo da desapropriação também foi apontado na conversa com
Sueli.
Algumas fotos para ilustrar essa narrativa com imagens
reais:
Apesar das condições, pelo meu olhar de primeiro reconhecimento,
o que ficou dessa passagem pela Ilha dos Marinheiros, é que a força de
mobilização faz com que as pessoas se sintam responsabilizadas e comprometidas
com o seu “andar a vida”.
“O
território é o chão e mais a população, isto é uma identidade, o fato e o
sentimento de pertencer àquilo que nos pertençe. O território é a base do
trabalho, da residência, das trocas materiais e espirituais e da vida, sobre as
quais ele influí. Quando se fala em território deve-se, pois, de logo, entender
que está falando em território usado, utilizado por uma população.”
Do livro: Por outra globalização - do pensamento único à consciência universal. Milton Santos, Record, 2003, 174 p.














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