segunda-feira, 29 de maio de 2017

Encontro de Singularidades - Caso Luiz

Programa Saúde Na Escola e as Residentes em Saúde Coletiva – Um encontro de singularidades.

Sim , fazer as ações do PSE com as crianças, foi um momento de grandes descobertas.

Por se tratar de um território de muita vulnerabilidade, nos deparamos com algumas situações que não faziam parte de nosso cotidiano, até o momento de fazermos essa ação.
Pois bem, pontuarei uma das situações, que nos fizeram mesmo refletir sobre a vida e as nossa (im)possibilidades .

Luiz (nome fictício) foi encaminhado pela professora com uma justificativa que ele era um menino muito agitado e desinteressado pelas aulas, e que por isso, atrapalhava os outros alunos na sala.

A professora saiu e nos deixou com Luis, um garoto muito esperto e ao mesmo tempo, com uma astúcia (para não dizer certa malandragem) típica de quem é criado naquele ambiente onde a violência é uma rotina. 

Começamos a conversar com ele e pudemos perceber que ele era um menino, que gostava de brincar, e ao mesmo tempo com um pavor de injeção ou tudo que perfurasse, motivo pelo qual, naquele dia, a Daiani, enfermeira, não conseguiu realizar o exame de HGT, mesmo eu tendo furado meu dedo e mostrado a ele que não doía. 

Ingenuidade a minha em achar que conseguiria persuadir aquele guri com minha atitude altruísta, claro que não consegui, e, confesso, me senti meio incomodada com aquilo.

No exame de A.V, percebemos que ele não conseguia enxergar mesmo, e aí começou a ficar claro, o porquê dele não conseguir se interessar pelas aulas e nem fazer os temas de casa, sim, sem enxergar, ninguém tem motivação mesmo. 

Aquilo mexeu muito comigo, e eu me questionei pelo fato de não ter como ajudá-lo naquele  momento, pois o grau dele é alto e fiquei imaginando que ele enxergasse as coisas como um borrão, sem poder, além de todas as dificuldades, observar a beleza das coisas da vida, além daquele mundo embaçado .

Fomos buscar informações com a equipe sobre ele e soubemos que tem uma família bem complicada e muito conhecida pela comunidade. A mãe foi abandonada pelo pai e o padrasto é um traficante , e que o maior sonho do menino era ser igual ao padrasto e ter uma arma, como ele.

Aquilo nos surpreendeu , pois o menino é muito carente, pois bastou darmos atenção para ele, que ele se tornou nosso amigo.

Por enquanto, o que posso dizer sobre isso tudo é que no dia seguinte ele apareceu na unidade para fazer o HGT e passar por uma consulta, pois estava com umas perebas na perna, que não cicatrizavam . Passou pelo médico e levou materiais para curativos e pomada para as feridas na perna.


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